Hospital de Tubarão é o segundo em número de doações de órgãos do Estado | TN Sul

0

Santa Catarina foi reconhecida em 2021 pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) como o maior Estado em número de doações efetivas de órgãos para transplantes. No ano passado também registrou a menor taxa de não autorização para doação do Brasil, negativa de 28%, sendo o único Estado brasileiro que efetivou mais de 40% dos seus potenciais doadores. E o Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), de Tubarão, contribui com este cenário sendo a instituição de Santa Catarina que este ano (2023) apresentou o segundo maior número de explantes convertidos em transplantes bem-sucedidos. Foram até julho, 25 notificações de potenciais doadores de órgãos, sendo efetivado 17 doações, um total de 68% efetivação de órgão doados, umas das maiores taxas do estado. 

O HNSC é um hospital referência no estado no processo de Doação de Órgãos, trabalho que realiza diligentemente desde 2003, e é liderado pela Comissão Hospitalar de Transplantes (CHT), que tem a finalidade de organizar rotinas e protocolos que possibilitem o processo de doação de órgãos e tecidos para transplantes. Composta por uma equipe multidisciplinar de enfermeiros, médicos e psicóloga, a CHT realiza todo o processo conjuntamente com a Central Estadual de Transplantes de Santa Catarina (CET), centralizando e coordenando todas as ações que envolvam a captação, o transplante e o gerenciamento das listas únicas de receptores de órgãos e tecidos, tanto nos processos de captação, quanto na distribuição.  

Como parte do processo, o HNSC também faz o atendimento dos pacientes neurológicos mais críticos no Centro de Terapia Intensiva (CTI), que envolve desde a busca ativa, notificação da morte encefálica, o acolhimento familiar, manutenção do potencial doador, até o explante. O acolhimento familiar humanizado, segundo o médico intensivista Samuel De Brida Andrade, membro da CHT, é um dos aspectos de maior dedicação da equipe, e de fundamental relevância que determina o sucesso da comissão e o benefício a sociedade. “A determinação da ‘morte encefálica’ é um dos processos mais complexos e técnicos da medicina, envolvendo inúmeras resoluções éticas, técnicas e legais. Para família que acompanha seu ente querido no CTI em uma condição neurológica catastrófica, emotivamente envolvido, é profundamente mais complexo”, explica. “Nosso papel nesse momento é estar ao lado da família, apoiá-la, destituindo barreiras, ouvindo suas demandas e nos disponibilizando ao que for possível. É só apenas quando elas encontram algum conforto, sanam todas suas dúvidas e acompanham o processo internamente de maneira transparente, que eles atingem uma condição capaz de tomar decisões plenamente autônomas. Quando o passo é positivo, aí que a CHT notifica a CET que passa a rodar o ranking da fila de espera, vendo quem mais precisa e, especialmente, quem é compatível”, completa o médico intensivista.

Hoje a maior dificuldade se encontra na própria fila de espera, que cresceu de 400, em 2019, para aproximadamente 1,4 mil pacientes/mês no Estado. Rins e córneas são os órgãos com maior demanda. Em julho eram 1.403 pessoas aguardando por um transplante, destes, 755 precisavam de um rim e 445 de córneas. 

De acordo com Dr. Samuel, existe uma demanda muito maior do que a capacidade de suprir esta necessidade, e apesar de grandes esforços das CHTs do Estado, para algumas circunstâncias, à espera de um órgão pode levar anos.  “Um fator que frequentemente é negligenciado pela população é a compatibilidade entre doador e receptor. Ela é muito mais complexa que a tipagem sanguínea e fator RH. Não basta ter o órgão disponível e um paciente que necessite dele, é preciso que ambos sejam compatíveis, e esta é uma grande dificuldade”, explica o médico.  “Caso não haja paciente compatível no estado, parte-se para a busca em outras unidades da federação, lembrando que a identidade do doador é protegida por lei e seu anonimato não é apenas obrigatório como garantido. Nem mesmo entre as equipes que fazem o explante com as que fazem o implante há o cruzamento de informações” 

A decisão final sobre doar o órgão ou não é da família. Isso é absolutamente respeitado. No estado, 70% das famílias estão dizendo sim, conforme a SC Transplantes. Mas o órgão trabalha para aumentar o percentual. Para se ter ideia, um doador pode salvar até oito vidas, pois podem ser doados coração, pulmões, rins, fígado, pâncreas e intestino.  

Por que Doação de Órgãos é importante? 

O transplante de órgãos é, em muitos casos, a única alternativa terapêutica para pacientes portadores de insuficiência funcional terminal que acomete órgãos essenciais. Mas como foi abordado, há uma grande desproporção entre o ritmo de crescimento da fila de candidatos a transplantes e o número de transplantes efetivamente realizados, que acontece por diferentes aspectos do processo de doação e transplante como: dificuldades técnicas e estruturais para realização do diagnóstico de morte encefálica (ME); baixas taxas de notificação das MEs pelas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs); não concordância dos familiares do potencial doador em efetivar a doação; contraindicações mal atribuídas pela equipe médica; problemas logísticos; e as perdas de potenciais doadores por falhas durante o processo de manutenção. “Então o que se pode ver, é que a doação e o transplante de órgãos é uma ação que seu desfecho bem-sucedido depende de várias etapas, desde o monitoramento das condições dos pacientes críticos, da constatação da morte encefálica, da comunicação com as famílias até a entrevista com elas”, relata Dr. Samuel. 

Ele enfatiza ainda, que a entrevista com o familiar é um dos processos mais importantes: “O que buscamos enquanto comissão é acolher as famílias, auxiliar o processo de luto no momento da dor e esclarecer sobre a importância e a nobreza deste ato que, apesar do momento difícil da perda do ente querido, a ação pode ajudar a salvar outras vidas” 

Notas Sobre a Legislação 

·         Lei nº 9.434, de 4 de fevereiro de 1997, que dispõe sobre a retirada de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante e tratamento, determina em seu artigo 3º que compete ao Conselho Federal de Medicina definir os critérios para diagnóstico de Morte Encefálica (ME); 

·         Artigo 13o da Lei nº 9.434/1997 determina ser obrigatório para todos os estabelecimentos de saúde informar as centrais de notificação, captação e distribuição de órgãos das unidades federadas (CET) onde ocorrer diagnóstico de morte encefálica feito em pacientes por eles atendidos “… a perda completa e irreversível das funções encefálicas, definida pela cessação das atividades corticais e de tronco encefálico, caracteriza a morte encefálica e, portanto, a morte da pessoa.” 

Resolução CFM n 2.173/2017: 

·         Art. 9º – Os médicos que determinaram o diagnóstico de ME ou médicos assistentes ou seus substitutos deverão preencher a DECLARAÇÃO DE ÓBITO definindo como data e hora da morte aquela que corresponde ao momento da conclusão do último procedimento para determinação da ME; 

  • § 1º Nenhum desses médicos poderá participar de equipe de remoção e transplante, conforme estabelecido no art. 3º da Lei nº 9.434/1997 e no Código de Ética Médica. 
  • A morte encefálica (ME) é estabelecida pela perda definitiva e irreversível das funções do encéfalo por causa conhecida, comprovada e capaz de provocar o quadro clínico. O diagnóstico de ME é de certeza.  
  • A determinação da ME deverá ser realizada de forma padronizada, com especificidade de 100% (nenhum falso diagnóstico de ME).  
  • Qualquer dúvida na determinação de ME impossibilita esse diagnóstico.  
  • Os procedimentos para determinação da ME deverão ser realizados em todos os pacientes em coma não perceptivo e apneia, independentemente da condição de doador ou não de órgãos e tecidos.  

Source link

Leave A Reply

Your email address will not be published.