‘Super El Niño’ pode levar preço do café ‘às alturas’; entenda | TN Sul

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Os preços dos commodities (produtos elaborados em larga escala e que funcionam como matéria-prima) de café, açúcar e milho disparam com eventos climáticos nas últimas semanas, principalmente o El Niño. O caso preocupa até a ONU (Organização das Nações Unidas) que em meio já previu que o fenômeno pode afetar a agricultura global.

O engenheiro agrônomo Ronaldo Coutinho reforça e diz que “tudo de ruim pode acontecer com a atuação do El Niño”.

De acordo com Coutinho, são estas chuvas que podem impactar no cultivo de grãos em Santa Catarina. Isso porque com mais chuvas os dias de sol costumam ficar menos frequentes, e o astro serve de combustível para o cultivo.

Os principais produtores de grãos robusta de café, incluindo Vietnã, Indonésia e Brasil, podem ser afetados por conta do El Niño.

O grão de café robusta, tem sabor amargo e alto teor de cafeína. São eles que são usados em muitas marcas de café instantâneo e misturas de café expresso.

Como os commodities funcionam?

De acordo com a economista Janine Alves, o custo de produção aumenta no Brasil quando o preço das commodities aumentam no mercado internacional porque o Brasil é um grande produtor de commodities (como feijão, por exemplo).

“As commodities são bens primários que são comercializados em mercados internacionais, como petróleo, minério de ferro, soja e café”, explica.

Alves explica que quando o preço das commodities aumenta, os produtores brasileiros precisam pagar mais por essas matérias-primas para produzir seus produtos. Isso leva ao aumento do custo de produção e, consequentemente, ao aumento dos preços dos produtos para os consumidores.

Ou seja, na prática, a produção agrícola pode ser afetada pelas chuvas, causadas pelo El Niño, que aumenta o preço dos commodities e, no fim, aumenta o valor do grão nas prateleiras de supermercados.

El Niño pode aumentar o preço do café El Niño pode afetar produção agrícola – Foto: Reprodução/GOES Image

Uma cadeia de aumento

“Além do aumento do custo de produção, o aumento do preço das commodities também pode afetar a economia brasileira de outras formas. Por exemplo, o aumento do preço do petróleo pode levar ao aumento do preço da gasolina e do transporte, o que pode afetar o custo de vida e a competitividade das empresas brasileiras”, conta Janine.

A elevação do preço do minério de ferro pode afetar o setor de construção civil, que é um dos maiores consumidores de minério de ferro no Brasil. O aumento do preço da soja pode afetar o setor agrícola, que é um dos setores mais importantes da economia brasileira.

“O governo brasileiro está tomando medidas para mitigar os impactos negativos do aumento dos preços das commodities. Por exemplo, o governo está aumentando os subsídios para os produtores rurais e está investindo em infraestrutura de transporte”, finaliza a economista.

Ruim para os cereais

A Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina) concorda que o cultivo de alho e cebola culturas em sua maioria irrigadas, serão prejudicadas.

“O excesso de chuvas pode ocasionar problemas fitossanitários, resultando em aumento nos custos de produção pelo aumento no número de pulverizações com fungicidas, bem como problemas com erosão do solo decorrentes de enxurradas, que para regiões de maior declividade, podem trazer prejuízos econômicos significativos aos produtores”, diz em nota.

Para os cereais de inverno, com destaque para o trigo, a preocupação de técnicos e produtores é com a previsão de excesso de chuvas para os meses de outubro/novembro, período que coincide com as fases de maturação e colheita da cultura.

Caso essas previsões se confirmem, Santa Catarina pode ter perdas em produtividade pelo aumento da ocorrência de doenças fúngicas (Brusone e Giberela), que prejudicam diretamente a qualidade do grão de trigo, reduzindo o valor comercial do produto colhido, com perdas normalmente irreversíveis.

Os produtores que não realizam plantio direto sobre a palha poderão ter problemas com erosão a partir do escorrimento das camadas superficiais do solo, causando prejuízos econômicos.  Da mesma forma, temporais com ventos fortes poderão ocorrer, causando prejuízos em pomares e benfeitorias.

*Via ND+

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